Ler o mundo

Afinal, o que é ler o mundo?

Para começar a pensar sobre isso, vamos refletir sobre o momento em que vivemos e os desafios que os dias de hoje nos colocam, como pais e educadores.

Na área de educação, o principal tema de discussão ainda é como preparar as novas gerações para os desafios do século XXI.

O mundo está mudando muito rápido, mais do que acontecia antigamente, devido às novas tecnologias. O acesso à informação e a aprendizagem se configuram de uma outra maneira.

Assim, muda também a forma de olharmos para o conteúdo. O que antes era transmitido na sala de aula agora pode ser acessado facilmente na Internet. Então, surgem outras questões: como buscar conteúdo e respostas na Internet? Como saber o que é bom ou o que é melhor? É preciso aprender a pesquisar e a selecionar informação.

Muda também o jeito como nos relacionamos. Usamos a tecnologia para a comunicação, as redes sociais, e muitas crianças e adolescentes navegam pelo mundo virtual sem nenhum tipo de orientação e reflexão sobre a natureza e a qualidade do conteúdo. Como ajudá-los? Qual é o papel de quem educa? A criança precisa aprender a se relacionar com as pessoas e com o mundo. Precisa aprender a pensar sobre o mundo, refletir sobre as situações de vida e situações-problema, que estão cada vez mais complexas.

Dessa forma, o aprendizado muda como um todo. A criança de hoje, diferentemente de outras gerações, nasce inserida nesse novo mundo tecnológico. É preciso ter fôlego e disposição para entender o que está acontecendo, participar desse mundo e refletir sobre as constantes mudanças. Não é preciso ter medo da tecnologia, ela traz muitas vantagens e faz parte da nossa vida.

A alfabetização, nesse contexto, muda muito também. A criança precisa e quer ler o mundo à sua volta. E, para isso, usa diversas linguagens.

A criança precisa entender de onde vem e para que servem os textos, tanto os orais, as imagens quanto os escritos. Precisa descobrir seu interesse, saber o que a encanta. Precisa olhar para um monte de estímulos e informações e escolher o que quer naquele momento. Muitas vezes ela precisa saber ser bem rápida, mas, mais importante do que isso: ela precisa saber parar, respirar, deixar o tempo passar, se encontrar com a natureza, ler por prazer, brincar, se entediar.

Nossa proposta está muito longe de ser uma aceleração do processo de aquisição da leitura e da escrita. Entendendo o contexto atual, queremos fazer do processo de alfabetização algo maior, que envolve o contato a diversidade de textos que existem no mundo e com a diferentes linguagens que são usadas para lê-los.

Enfim, para nós, alfabetizar-se é conhecer e compreender os múltiplos textos e linguagens que existem no mundo e saber para que servem, poder usá-los e interpretá-los à sua maneira.

Isso é ler o mundo.